O PRIMEIRO ALMOÇO NO RJ!
Ao ir para o Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades, de trabalho e de vida, fiz amizades já no ônibus e conheci o Diniz, o Jairo e o Clóvis. Este era um cara quase gordo e bom de garfo. O Diniz, um cara muito desconfiado e medroso. Imaginem vocês que ele “costurou o bolso” onde carregava o dinheiro na viagem. Em conseqüência, rapidinho ele ficou sem, e dependia dos outros pagarem prá ele, até chegar ao Rio e poder descosturar o bolso. O Tchê era tranquilo e bem humorado; tudo estava bom prá ele e nos tornamos bons amigos. Assim que descemos na Rodoviária nos dirigimos para a “Central do Brasil”, tomamos o trem, para a Zona Norte, até Madureira e chegamos “de mala e cuia” num restaurante para o almoço, estava lotado, e nós colocamos as malas embaixo da mesa, muito desajeitados nos sentamos. A grana não era farta prá nenhum de nós e chamamos o garçom para nos informar os preços e as condições de pagamento. Na nossa terra o almoço mais barato era conhecido como “completo”; no Rio, o Garçom disse: “PF”, sigla para “Prato Feito pela casa”. Entramos em acordo e pedimos quatro “PFs”. O Clóvis, um comilão crônico, chamou o garçom para o lado dele e falou baixinho no seu ouvido: “Garçom, pede para o cozinheiro caprichar no feijão, porque eu tô a perigo!” A primeira decepção, ou quem sabe a primeira vergonha, ou desventura, ou peripécia? Vá a gente entender a seguinte cena em cada um de nós?... O garçom afastou-se um pouco da nossa mesa e gritou a todo pulmão: “Cozinheiro, serve quatro PFs, mas capricha no feijão que os gaúchos tão a perigo!!!” Imaginou essa cena?!!! Nós não sabíamos o que fazer, eu então, queria sumir!!!!! Afinal, todo o povo que estava no restaurante dirigiu o olhar para nós!!!
Assim passou o primeiro dia no Rio, foram muitas outras situações hilárias, que pretendo contar em outras desventuras. darcigpi
“A PEXADA”
Certa vez estava eu andando pela principal rua do comércio em Realengo, quando presenciei “uma pexada de frente”, com grande estrondo: “um fuca” vinha a toda velocidade. No lado oposto “um Chevrolet”. Quando o motorista do Chevrolet viu que ia bater, deu “uma baita freada”, mas o Fusquinha não. O carro que freou ficou mais amassado que o outro. Felizmente os motoristas se salvaram. Após o sucedido, eu saí caminhando e logo em frente uma senhora saiu no portão e, percebendo que eu havia presenciado o ocorrido, me perguntou: “o que houve lá?” Eu, na maior inocência e num bom linguajar gaúcho, respondi: “foi uma pexada entre um fuca e um Chevrolet!” eu notei que aquela senhora ficou de boca aberta, tentando entender o que eu havia dito. Como eu percebi que ela não me entendeu, emendei: “foi uma batida de dois autos!” Parece que “a emenda foi pior que o soneto!” Aí é que a coisa pegou mesmo! Como eu não sabia mais o que falar nem como me expressar, fui embora, saí dali, mas quela senhora ficou espantada comigo e me acompanhou com aquele olhar incrédulo e sem entender nada! Quando cheguei em casa, comentei o ocorrido com os colegas e um Carioca, que tinha feito amizade conosco explicou: Gaúcho, “Pexada” aqui é um prato de peixe e “batida” é uma bebida alcoólica.
Agora eu já sei: “Auto” é carro; “pexada” é colisão; “Fuca” é Fusca; “Chevrolet” é um Opala e “batida” é uma caipirinha. Até a próxima desventura! darcigpi.
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